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Ольга Крючкова – Pintar Com O Dragão (страница 4)

18

A Ōi corria e corria, mas a falha não parecia ter qualquer fim à vista. Subitamente, começou a sentir algo de estranho à sua volta. À sua volta havia vários ratos que apareciam do nada. Porém, o mais estranho é que estes ratos estavam vestidos com quimonos, cada um à sua maneira e.… tinham vozes de humanos!

"Uma pessoa, uma pessoa! Está aqui uma pessoa!" chiava um rato.

"De onde veio esta rapariga?" chiava outro rato.

A Ōi não percebeu de imediato de onde vinham as vozes. Ela parou e olhou à sua volta. Mas quando ela percebeu de onde vinham as vozes, ela sentiu um calafrio, calores frios percorriam-lhe o corpo.

"O que é que se está a passar aqui? Ajuda-me Amaterasu!" a menina começa a rezar ao Deus do Sol.

De repente, um dos ratos que tinha um ar bastante respeitável, parou e disse à Ōi:

"É raro virem aqui pessoas, mas já que vieste não tens nada a temer. Não fazemos mal às pessoas. Pensa: vocês são tão grandes e nós tão pequenos! Porque haveríamos de ofender alguém que nos pode esmagar?"

A menina ficou a olhar incrédula para o rato. Apenas um, não era motivo para ter medo. Mas havia tantos! E se eles a atacassem todos ao mesmo tempo? Entretanto falou outro rato:

"Sim, sim menina, não nos faças mal! E nós também não te tocamos, tu és enorme! E podes ficar para o casamento!"

"Para o casamento? De quem?" esfregando os olhos, que estavam repletos de curiosidade.

"Oh, deixa-me contar-te tudo!" disse o primeiro rato que falou coma Ōi.

E começou a contar a história:

"Um casal de ratos magnata vivem aqui perto. Eles têm uma filha linda chamada Ochyu. Ela não só foi abençoada com beleza, mas também com inteligência e outros dotes. Os pais amam-na muito! Tratam-na como um verdadeiro tesouro! Eles sempre fizeram de tudo para que Ochyu não andasse ao sabor do vento, se era para ler ela apenas lia os melhores clássicos da literatura! Ela também estudou artes! A Ochyu também sabe fazer uma cerimónia do chá e ikebana!

Assim sendo, Ochyu tornou-se uma jovem rato muito bem formada, nenhuma das suas amigas se poderia comparar a ela. Agora ela chegou à idade de casar. E os seus pais começaram a pensar: qual seria o melhor par para a sua preciosa filha? Afinal de contas, ela é linda e tem uma excelente educação. Assim sendo, pensaram por muito tempo, mas no fim os seus pais decidiram casar Ochyu com a criatura mais poderosa que existe no Mundo dos Espíritos! As criaturas mais poderosas deste mundo são o Sol e a Lua. Mas o Sol é demasiado brilhante: tu não te consegues aproximar muito dele! Por outro lado, Lua é meigo e gentil e foi ele quem os seus pais escolheram. Assim sendo, o pai da Ochyu foi ter com Lua. Ele contou-lhe tudo. Lua ouviu ficou impressionado e sem palavras. Mas respondeu-lhe que: 'Sou de facto muito poderoso, mas neste mundo não posso ser genro de ninguém. É claro que estou grato que me ofereças a mão da tua filha em casamento. Desculpa, mas será impossível! Embora te deva dizer: Eu tenho um rival poderoso, Nuvem! Muitas vezes me impede de sair à rua! Vai ter com ele!'

Depois de saber acerca de Nuvem pela boca de Lua, Chyube foi ter com ele. Mas Nuvem disse-lhe: "Sim muitas vezes não deixo Lua sair... Mas eu apenas tenho um rival, Vento. Muitas vezes, quando estou prestes a sair, o vento sopra-me e tenho de me ir embora!"

Ao saber disto, Chyube vai ter com Vento. Depois de lhe contar tudo Vento responde-lhe: ' Obrigada pela tua generosa oferta. Mas será impossível. Sempre que sopro com todas as minhas forças, vou embater no meu adversário, Parede!"

E aí Chyube disse: "Muito bem, vou falar com Parede!"

Então foi ter com Parede e fez novamente a proposta. E recebeu novamente uma educada recusa? E assim sendo, Chyube pergunta o porquê da recusa.

É aí que Parede responde: "Embora eu resista ao vento, não tenho qualquer hipótese contra vocês ratos. Vocês conseguem me morder e fazer buracos." Pensativo Chyube regressou a casa depois de uma série tentativas de casamento mal sucedidas.

À sua espera em casa estava a sua mulher. Ao que ela lhe perguntou: "Encontraste um noivo para nossa Ochyu?"

Chyube disse-lhe: "Alegra-te mulher! No nosso mundo, nós ratos, somos os mais poderosos!" A sua mulher desconfiou: "É mesmo do nosso mundo inteiro?" Foi aí que ele lhe contou tudo sobre as suas aventuras. Depois de ouvir a explicação de Chyube a sua mulher concordou com ele. Foi assim que decidiram, entre todos os ratos, arranjar um noivo para a sua filha.

A sua mulher respondeu-lhe: "Se assim é, claro que vamos casar a nossa filha com um rato. Mas qual o melhor candidato?"

O marido responde-lhe: "Pensei nisso no caminho. E lembrei-me do Chyumaru, que vive no sótão."

Pensativa a mulher de Chyube disse: "Claro que sim ele é um bom rato. Mas o gato é o seu único vizinho. E se acontece alguma coisa? Preocupamos-nos depois..."

Foi aí que Chyube disse: "E que tal o Chyukuro da lixeira? Mas obteve a mesma resposta da sua mulher: "O furão vive mesmo ao lado dele, sabes o quão perigoso é!"

E o casal pôs-se a pensar quem seria o par ideal para Ochyu? Durante muito tempo pensaram, mas não se conseguiam decidir. De repente lembraram-se do seu mordomo chamado Chyuske. Desde sempre os servira e não notaram qualquer característica maliciosa nele, e era conhecido de Ochyu desde os seus tempos de infância. Chamaram Chyuske de imediato e logo o informaram da sua decisão. A felicidade era clara nas suas expressões. Depois chamaram Ochyu que também foi informada da decisão. Também ela ficou bastante feliz.

Os pais da Ochyu ajudaram o Chyuske a arranjar a sua própria casa e a abrir uma loja. Foi aí que escolheram um dia auspicioso com a ajuda de um astrólogo para celebrar o casamento, onde a noiva passou a integrar a família noivo. É hoje o dia da dita cerimónia! Todos nós fomos convidados para o casamento!"

Foi assim que o rato deu por terminada a sua história. Durante algum tempo Ōi ficou a olhar surpreendida para o animal falante. Mas, entretanto, decidiu dizer-lhe:

"Eu percebo o que me está a contar Sr. Rato... Mas por certo não compreendo como cheguei até aqui! Eu estava a jogar às escondidas com os meus amigos e fui esconder-me num espaço entre duas casas! E do nada, sem qualquer razão, vou dar comigo aqui!"

"Eu ouvi a minha avó contar-me que de tempos a tempos as pessoas caiem no nosso mundo!" respondeu-lhe o rato. "Mas menina já que aqui está, porque não assistir ao casamento de Ochyu e Chyuske? Para nós ratos é considerado um bom presságio um humano testemunhar um casamento de ratos! Eu acho que os pais da noiva também vão ficar muito felizes!"

"Eu adoraria ficar para ver o casamento, mas como é que faço para regressar a casa depois?" Questionou a Ōi que por esta altura já estava um pouco mais calma. "É claro que os meus pais e amigos vão ficar preocupados... Tal como a minha irmã, muito embora ela seja ruinzinha."

"Oh, não te preocupes! Vais regressar em breve! Os humanos não podem aqui ficar muito tempo."

"Então vou assistir alegremente a este casamento de ratos," sorriu a menina.

E assim seguiu o rato falante, que lhe contou tudo. Pouco depois chegaram a uma rua, parecida com Edo, mas sem uma única pessoa. Mas sim vastas populações de ratos lotavam as ruas sem quaisquer pessoas. Todos olhavam para um palanquim que estava nas próximidades adornado com várias joias.

Os ratos olharam para a Ōi com uma surpresa impossível de esconder, o que fez com que a menina se sentisse um pouco desconfortável. Contudo, os pequenos animais não mostravam quaisquer sinais de agressividade. Apenas sussurravam:

"Uma pessoa, uma pessoa! Está aqui uma pessoa!"

"Sim, é uma menina!"

"É um sinal auspicioso, não é?"

Mas em pouco tempo, a atenção dos ratos focou-se na noiva que emergia do buraco dos ratos. Involuntariamente a Ōi abriu os seus olhos maravilhados. Ela não esperava ver um vestido de noiva tão pequenino, mas ao mesmo tempo tão detalhado e elegante! Numa palavra apenas, a noiva Ochyu era deveras lindíssima, parecia-se com um desenho animado de um conto de fadas.

"Eu quero desenhar isto," foi o primeiro pensamento de Ōi. "Quando chegar a casa vou certamente desenhar isto! Eu não sei desenhar tão belas imagens quanto o meu pai, mas vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para enaltecer parte desta beleza!"

A noiva caminhava para o palanquim onde se sentou, enquanto isso, a menina observava-a admirada. Depois disso os ratos carregaram o palanquim para a casa do noivo.

Os ratos começaram a sussurrar novamente:

"Quando as raposas se casam, no céu ou está um calor abrasador ou chove! Mas quando os ratos se casam está bom tempo!"

"É verdade o tempo está ótimo!"

Talvez a Ōi teria tomado mais atenção às conversas dos ratos não fosse o facto dos ratos à sua volta começarem a desaparecer tão subitamente quanto o seu surgimento. E mesmo ela própria se apercebeu de que num piscar de olhos ela já não estava no casamento dos ratos, mas sim na mesma falha onde tinha entrado pra se esconder. Estava de tal forma perplexa que nem se mexia isto até ouvir Shotaro a gritar de alegria:

Encontrei-te Ōi! Onde estavas? Estavas a esconder-te noutro sítio? Já tinha aqui vindo à tua procura antes!"